Madrugada fria e sombria


Hoje acordei cheia de frio,ainda me embrulhei no cobertor, encolhi-me de baixo dele, e dava a sensação de estar como um caracol, mas mesmo assim estavas desconfortada. O silêncio dominava o quarto, só ouvia o ruído constante da chuva e do vento. Aquela agua limpída mas tão fria, a bater no para-peito da janela, nas mesas do restaurante aqui de baixo,e no chão sujo e desgastado destas ruas. E havia também o vento que até estava fraco,parece não ter força, mas ouvia-se, era como o som de fundo de todo aquele momento. Senti-me incomodada,estranha,algo estava mal. Então destapei-me, peguei no télémovél para ver as horas. e lá estavas tu.. a imagem de fundo do ecrã.. e se fosse só do ecrã... Estava lá a tua fotografia, a mesma de há meses, já passaram tantos que já lhes perdi a conta. Vi a tua imagem e senti-me bem, mas ao mesmo tempo vazia. É incrível o impacto que ainda tens em mim,e as diferentes reacções que causas no meu coração, e. Abri bem os olhos e reparei que eram quatro da manhã, ainda tinhas duas horas de sono,por isso, bloqueei o télémovél. Voltei então a cobrir-me com o coberto, a encolher-me como um caracol, fechei os olhos e tentei adormecer. Apetecia-me sonhar, sonhar contigo. Pois neste presente, é a única maneira que eu tenho de estar contigo. E por muito que não passe de um sonho, durante aquele tempinho parece sempre real. Mas o barulho da chuva era cada vez maior, e o vento parecia ter ficado mais forte. O sono tentava manifestar-se mas eu tremia tanto que o meu corpo não conseguia dar importância para outras chamadas de atenção. Tinha tanto frio, que o estalar dos meus dentes aumentava a cada segundo. Foi então que me sentei,e fiquei a olhar para o nada,para a noite escura. Espreitei pela janela, mas sombra de estrelas no céu. Desejei nesse momento ter alguém ali comigo,que me desse aconchego. E perguntei-me, como seria se esse alguém fosse tu. Queria deixar de sonhar acordada, senti-me uma tonta e parva por ainda pensar assim, por ainda criar estas imagens, e deixar que a ilusão ganhe a razão. Estava tão escuro, o barulho da chuva aumentava cada vez mais, o vento tornava-se mais forte, e eu começava a ficar assustada. Sentia-me tão sozinha, que queria era mesmo poder voltar a adormecer, para sair daquela madrugada sombria. Foi então que voltei a embrulhar-me no cobertor, e senti o teu casaco entrelaçado nele. E num impulso repentino, vestiu. O casaco estava quente, e ao poucos esse calor foi aquecendo o meu corpo,e eu fui me acalmando. Já não estalava os dentes de maneira intensa, e o meu corpo já não tremia exageradamente. Simplesmente, sentia calafrios. Peguei na almofada e de seguida na tua camisola. Deitei-me e cobri o meu rosto com a recordação que me deixas-te de ti. E senti-me mais perto de ti outra vez, senti-me protegida. Senti que já não estava sozinha, era como se me estivesses a abraçar, e num gesto de consolo tivesses encostado o meu rosto no meu peito,e o calor do teu corpo tivesse aquecido o meu. E assim acabei por adormecer. Criei uma ilusão eu sei, mas foi assim que consegui adormecer. A pensar em ti,a imaginar o nós. E a querer entra num sonho sem fim. É mesmo incrivél como ainda me fazes sentir assim, como ainda tudo parece tão presente, como eu ainda te quero tanto... «  Quem sabe um dia ! » não é ?! …