diz que me amas por favor, dezoito vezes.
' começa a ser estranho escrever direcionado a ti. não sei se é certo ou errado. mas muito sinceramente não estou preocupada com isso, alias estou me mesmo nas tintas. não consigo deixar de sentir que ainda és parte de mim. não consigo arrancar te do meu pensamento, do meu corpo, de mim. e torna se tudo relativamente frustrante. já perdi a conta dos dias longe de ti, já perdi noção da intensidade do teu beijar, já não sei se quer distinguir o teu perfume de todos os outros. mas mesmo assim eu continuo presa a ti e a amar te desalmadamente. bolas, que irritação sempre que vejo fotos tuas com outras raparigas. obvio que tens todo o direito de ter amigas, fogo, o que eu sempre quis foi a tua felicidade, tens até todo o direito de ter namoradas, quantas tu quiseres aliás. supostamente eu nem devia ter nada a ver com isso. mas caraças, tens noção do quanto me sinto pequenina e insignificante sempre que penso que já amas te outro alguém depois de mim? eu nem sei como descrever o aperto que eu sinto. odeio sentir me assim, pois eu devia de ficar feliz por isso mas... é como tentar pintar uma tela nova cheia de cores e ela acabar sempre por ficar toda preta, por muito que eu mergulhe os pinceis na cor e esborrate todos os tubos de tinta nela. no fim a cor da minha pintura vai ser sempre a mesma, preta! e é exatamente isso que acontece, por muito feliz que eu tente ficar, por muitos sorrisos que eu dê sempre que vejo uma foto com a tua felicidade estampada nela. o meu olhar transborda sofrimento. sem pensar também já outras bocas beijei, sem te dizer já outros corpos desejei, já por outros corações me apaixonei. mas nunca como me apaixonei por ti. sei lá explicar tudo isto. só me apetece gritar, e dizer todas as asneiras que eu conheço, em todas as línguas que eu sei. se ao menos isso me desse alguma tranquilidade. mas pelo contrário. de que me serviria rasgar e deitar fora a tela que tanto trabalho me deu? apesar do resultado final não ser o que eu esperava, toda a minha dedicação estava lá, em cada traço de pincel marcado. e o mesmo acontece contigo. de que me serve gritar por não conseguir imaginar te com outro alguém, se no fundo tudo o que eu sempre te desejei foi a felicidade? ... e espero mesmo que sejas feliz, tal como desejaria que a minha tela tivesse sucesso. mas tal como quero e exijo que toda a gente reconheça que fui eu que a pintei, eu também espero que te lembres sempre do quanto nos amamos. e muito egoístamente, eu exijo que me recordes depois de cada beijo que dês. eu exijo que me vejas depois de cada corpo que conheças. tal como um apreciador de arte reconheceria cada tela pintada por mim. pois espero que procures sempre um traço meu em cada alma nova que possas amar. e sim, sinto que tenho todo o direito de exigir isto, pois tal como as minhas telas são minhas e tenho direito de autores por elas, também tenho o direito de pedir que nunca deixas de me amar por me teres feito prisioneira de ti. não sei já o que esperar, pois se sofro com o medo de saber opiniões sobre as minhas pinturas, então saber o que realmente sentes assusta me de morte. mas tal como aceito cada critica e cada elogio, também aceitaria a tua verdade. esperando de uma maneira tão egoísta e tão arrebatadora...diz que me amas por favor, dezoito vezes!*
